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Quinta Feira, 17 de Maio de 2012 | ISSN 1980-4288


Os custos do assédio moral

"As pessoas normalmente estão acostumadas somente a avaliar os danos externos, sendo difícil a avaliação do dano interno. Este dano interno é duradouro e difícil de ser curado", diz autor

Por | Robson Zanetti - Quinta Feira, 28 de Outubro de 2010





Jornalista Externo


O assédio moral é um problema de saúde pública e seu custo é muito elevado sob o ponto de vista econômico-financeiro, para a sociedade e também possui um custo humano.


O custo do assédio é suportado pelo responsável, pela sociedade e pelas pessoas que dele participam direta (vítima, testemunhas) ou indiretamente (familiares e amigos).


A- Econômico-financeiro


Sob o ponto de vista econômico seu custo é elevado porque ele faz com que trabalhos realizados sejam desperdiçados, a marca de produtos e serviços sejam afetados, a produtividade seja prejudicada, ocorra a degradação do ambiente de trabalho, o nome empresarial seja atingido, ocorra a suspensão do contrato de trabalho, etc.


Não vimos ainda nenhuma estatística no Brasil, mais nos Estados Unidos o custo total para os empregadores por atos praticados no ambiente de trabalho foi estimado em mais de 4 bilhões de dólares e as despesas para o tratamento da depressão chegam a 44 bilhões de dólares segundo o BIT - International Labour Office, ligado a ONU (Bureau international du travail). Na Europa o custo é estimado em 20 bilhões de dólares. Certamente que este custo também é elevado no Brasil.


Sob o ponto de vista financeiro o responsável pelo assédio moral poderá pagar um valor muito elevado a título de indenização pelos prejuízos morais e materiais que o assediado sofrer.


Os valores de indenização tem variado muito, encontramos condenações que vão de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), estes valores são fixados conforme o entendimento de cada juiz, por isso eles são tão variáveis.


O custo econômico-financeiro é muito alto, por isso, parece que nenhum dirigente prudente o queira pagar, para isso, é preciso que o assédio seja prevenido antes de ser tratado.


B- Social


O problema não afeta somente o trabalho, mas a sociedade que acaba contribuindo com os gastos públicos para o tratamento dos problemas de saúde ocasionados pelo assédio, sobretudo com os problemas de depressão.

 
C- Humano


O assédio também tem seu custo humano, pois o trabalhador começa a perder a confiança em si, na sua competência, na sua qualidade profissional, ele começa a se sentir culpado, perde a estima de si.


Podemos ver na tabela acima, os problemas de saúde causados pelo assédio em entrevista realizada com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no ambiente profissional e como cada sexo reage (em %) ao assédio.


Nove alvos sobre dez de assédio apresentam um estado de estresse pós-traumático, revivendo a situação passada, evitando, sofrimento significativo e ativação neurovegetativa(1).


Conforme vemos, o assédio moral traz um custo muito grande, porém, sua dor é invisível.


As pessoas normalmente estão acostumadas somente a avaliar os danos externos, sendo difícil a avaliação do dano interno. Este dano interno é duradouro e difícil de ser curado.


Vemos que existe uma preocupação com a dengue, com a febre amarela, gripe asiática, etc... porém, não estamos vemos atitudes preventivas de nossos dirigentes com relação ao assédio. Quantas pessoas são atingidas por estes males? E pelo assédio: qual o percentual? Não temos um percentual no Brasil, porém, não temos dúvidas que existem muito mais vítimas de assédio do que vítimas de dengue, fabre amarela e gripe asiática.


Pelo gráfico abaixo, vemos o percentual de pessoas que são atingidas da Europa pelo assédio, no Brasil, ainda não temos pesquisa semelhante, porém, vemos que em nenhum país o número de assediados é baixo e com certeza tem mais assédio moral lá do que várias doenças.


Assim, verifica-se que quanto maior o percentual de pessoas assediadas maior será o custo do assédio, logo, o melhor caminho para evitar custos com o assédio moral é trabalhar de forma preventiva.


 
Nota:


(1) Élisabeth Grebot, Harcèlement au travail, Paris: Éditions d'Organisation Groupe Eyrolles, 2007, p. 130.

 

Autor:


Robson Zanetti é Advogado. Doctorat Droit Privé pela Université de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Corso Singolo em Diritto Processuale Civile e Diritto Fallimentare pela Università degli Studi di Milano. Autor de mais de 200 artigos , das obras Manual da Sociedade Limitada: Prefácio da Ministra do Superior Tribunal de Justiça Fátima Nancy Andrighi ; A prevenção de Dificuldades e Recuperação de Empresas e Assédio Moral no Trabalho (E-book). É também juiz arbitral e palestrante.  robsonzanetti@robsonzanetti.com.br

 

 

Livro digital

 

Faça o download gratuito da obra "Assédio Moral no Trabalho" do autor Robson Zanetti. 

 



Palavras-chave | assédio moral, custo humano, saúde pública, indenização

Comentários

comentário Madalena Daló - sua profissão | 29/10/2010 às 09:11 | Responder a este comentário

Prezado Dr. Robson Zanetti. Gostaria de deixar ao senhor este depoimento a respeito do assunto e quem dera consigamos banir do nosso meio este mal que realmente leva pessoas até a morte. Digo isso porque acompanhei por longos anos meu esposo sendo moralmente assediado. Teve a saúde totalmente abalada, perda de auto estima. A pessoa se sente tão incapaz que acha não servir mais para nada, que não sabe fazer mais nada, que é um profissional falido. Gostaria de perguntar à nossa justiça até quando iremos ter que ver pessoas de bem morrendo, vítimas de assédio moral? Sei muito bem o que é isso. Meu esposo faleceu de morte súbita no ano passado (agosto/2009) . Apesar das provas concretas, documentais e testemunhais, nossa justiça aqui da cidade, negou-lhe o direito, dizendo não existir o assedio moral.
Estamos em fase de recurso no JEF Turma Recursal 43 São Paulo. Espero sinceramente que a turma recursal consiga fazer justiça, isto é tudo que nós (eu e meus filhos) esperamos.

comentário Moacyr Lopes da Silva - Aposentado (é profissão ?) | 29/10/2010 às 12:06 | Responder a este comentário

Minha opinião ? Todo aquele que assedia moralmente, deve ter sido uma criança infeliz, que não deveria ter nascido, que surgiu no mundo apenas para perturbar. Mas, existem sempre aqueles que acham esta criança uma gracinha, ela vai se desenvolvendo e se ninguem brecar vai sómente causar danos na humanidade.
Cadeia daria uma ajeitadinha na vida dele, vai ver o que é bom para a tosse, junto com presos da pior espécie, vai se arrepender de ter nascido.

comentário Rosana - advogada | 29/10/2010 às 17:18 | Responder a este comentário

Sou advogada no Estado do RN e na minha singela opinião o custo é alto pra quem sofre o assédio moral. Não tem valor que pague ou apague da memória "certas" situações. Estou entrando com um caso de assédio moral, onde empregados que praticamente não usassem o banheiro para suas necessidades fisiológicas eram premiados com o valor de R$50,00. Esse trabalhador foi premiado com seu nome no topo da lista afixada perto do relógio d eponto desta empresa como o primeiro colocado em idas ao banheiro, o que lhe rendeu dentro da empresa o apelido de "mijão", sendo alvo de brincadeiras de extremo mal gosto.
Valendo lembrar que o referido trabalhador é pai de família, com mais de 40 anos de idade.
Acredito que aquele que se diz dono desta empresa deva ter nascido com defeito, no jargão popular "tapado".
Espero que Justiça seja feita, e que esta empresa pague pelos danos causados a este senhor e que reflita as atitudes de quem quer se firmar no mercado industrial/comercial.

comentário SANDRA MARIA - funcionária pública | 29/10/2010 às 23:26 | Responder a este comentário

Esse tema para mim é um dos mais importante, porque descobri que a quantidade de Assedio Moral dentro do Serviço Público, é bem maior do que se pensa. Principalmente depois que o nosso pais virou palco de alianças e aontece as mesmas entre politicos, que na grande maioria não conhece os trabalhos desenvolvidos dentro do órgão. A grande maioria de assediadas são as mulheres, sei porque pesquisei em tres esferas da Administração Publica.
Fiz este tema porque fui assediada dentro do meu trabalho e, até hoje sofro as consequencias das doenças psicologicas e morais, que sofri. Tenho 32 anos ´so de trabalho.

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